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Tiago Abreu

Extensionista em Comunica Estúdio
Estudante do curso de Jornalismo da Faculdade de Informação e Comunicação (FIC) da Universidade Federal de Goiás (UFG).
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Quem observa os passos lentos de Alcir do Vale Dourado, 89, nas ruas do centro de Paratinga e não conhece nenhum fragmento do seu passado, não imagina a quantidade de situações e histórias que o homem, por pouco secular, foi testemunha. Foi nas vias da cidade que, pela primeira vez, o vi. E quado estive em sua casa, em janeiro de 2017, reconheci de imediato a quem estava vendo.

Alcir é uma fonte praticamente obrigatória para qualquer pesquisador que passa pela cidade. Com várias pastas, registrou datas e informações relevantes acerca do desenvolvimento da infraestrutura do município. Sua ligação com a política não é incomum. No passado, fora militante contra o regime militar e quase foi preso em Brasília. Uma de suas filhas, Martinha Porto Dourado, conta que cresceu em meio a discussões políticas em casa. “Sempre assim: quando ele não gostava do prefeito, resolvia sair da cidade”, destacou.

Ela hoje é mais que uma das filhas de Alcir. Professora da disciplina de História do Colégio Estadual Evandro Brandão, Martinha teve que desenvolver figura de liderança em casa. Com a idade avançada do pai e problemas crônicos de saúde de sua irmã, hoje a docente é a voz e parte das memórias de Alcir.

Sua origem se dá na década de 1970, quando fora adotada por Alcir. Naquela época, a população do município era ainda mais conservadora que nos dias atuais, o que fez com que Martinha sofresse preconceito por conta da adoção. Sua relação com Paratinga não é das melhores. Apesar de ser professora na cidade e incentivar, por meio de seus conhecimentos, que seus estudantes amem o local onde vivem, Martinha reconhece que não morre de amores pelo seu lugar de origem.

A Escola Borges dos Reis, inaugurada no final da década de 1940, foi onde Martinha estudou nos primeiros anos. Mas em 1979 ocorreu uma enchente no município provocada pelo excesso de água nas barragens de Sobradinho (BA) e Três Marias (MG). Disso, se mudaram para Ibotirama. A partir disso, a vida da família Porto Dourado foi conduzida por várias mudanças. De Ibotirama para Paratinga, de Paratinga para Ibotirama, e de Ibotirama novamente para Paratinga. E durante sua formação acadêmica, Martinha ainda passou alguns anos no estado do Rio de Janeiro.

Atualmente, fixa em Paratinga, Martinha afirma que busca trabalhar com seus alunos conteúdos que levem uma reflexão acerca do enfraquecimento geopolítico do município na conjuntura do estado. Um dos motivos, segundo ela, é o fato da gestão pública ser monopolizada por famílias. E outro, a localização. “As pessoas só passam em Paratinga se quiserem. Não é igual Ibotirama ou Bom Jesus da Lapa, que você é obrigado a passar para ir à Salvador ou Brasília”, afirmou.

A professora não mede críticas aos gestores e também a segmentos da população. “Eu falo sempre com os alunos: Ser cidadão não é só apenas votar, é cobrar de quem está no poder para que faça alguma coisa em benefício da cidade. Se eu não gosto da cidade, quem vai gostar? A gente tem que cuidar, preservar, porque todos nós temos uma relação de afinidade com Paratinga. Você pode morar no Japão, nos Estados Unidos, onde for, mas sempre vai ter um elo que é a família, a origem de todos nós”.

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