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Documentos sobre Paratinga

Cidade infra(estruturada)

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Tiago Abreu

Extensionista em Comunica Estúdio
Estudante do curso de Jornalismo da Faculdade de Informação e Comunicação (FIC) da Universidade Federal de Goiás (UFG).
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Não é preciso ir muito longe para perceber que, na história das várias cidades nacionais, ainda há muitos desafios, em termos de infraestrutura, para populações rurais. E no desenvolvimento socioeconômico de Paratinga, os recursos básicos ainda são escassos em certas regiões.

Em janeiro de 2017, tive a oportunidade de visitar a casa de Alcir do Vale Dourado. Com seus 89 anos de idade e uma saúde que definitivamente impressiona, é uma memória viva da cidade. Com muito cuidado, guarda várias anotações, matérias de jornais e outros conteúdos sobre sua família e acerca de Paratinga.

Entre seus escritos, há informações bastante curiosas de como energia elétrica, iluminação pública, água e outros pilares de infraestrutura chegaram de forma desigual em diferentes regiões do município, especialmente nas últimas décadas.

A história geralmente contada acerca de Paratinga, nas páginas de enciclopédias e resumos disponíveis na web, é uma história do núcleo urbano. Assim, não é estranho perceber que esta parte do município, menos populosa, recebeu as primeiras instalações de iluminação pública, em 1950.

Entre 1973 e 1974, duas décadas após Ibotirama ter independência e Águas do Paulista estabelecer-se distrito, uma nova instalação elétrica fora constituída na sede e em seu principal distrito. A rodovia estadual BA-160, formada no ano seguinte, completava a ligação para várias cidades, como Bom Jesus da Lapa.

Enquanto isso, grande parte dos povoados e comunidades rurais de Paratinga viviam uma dinâmica consideravelmente distinta da minoria que constitui o centro das atenções do município. No Boqueirão de Regino, por exemplo, o percurso era à cavalo. Não existia, ainda, uma estrada que viabilizasse o uso de carros. Não havia, também, energia elétrica.

O processo de integração da chamada zona rural à dinâmica urbana foi um processo lento e, certamente, forçado por todo o caminho de desenvolvimento nacional vivido nas últimas décadas do século XX. Meu avô, por exemplo, comprou seu primeiro veículo em 1985 motivado, principalmente, por questões médicas. Afinal, o acesso ao atendimento era difícil, e vários de seus irmãos, além dos pais, morreram de doenças como tuberculose e febre amarela.

O desafio da energia elétrica, no entanto, ainda existia. Durante a década de 1990, vários moradores, de diferentes regiões, passaram a investir na energia solar e contavam com certa divulgação da prefeitura da cidade. Com estradas estabelecidas, o transporte se tornou mais fácil e a população passou a ter mais mobilidade.

Nos anos 2000, alguns povoados, de localização e população mais pungente, como os localizados no Vale do Santo Onofre, recebiam energia elétrica. O povoado do meu avô, justamente por sua difícil localização entre serras, somente passou a ter eletricidade em meados de 2011.

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