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Tiago Abreu

Extensionista em Comunica Estúdio
Estudante do curso de Jornalismo da Faculdade de Informação e Comunicação (FIC) da Universidade Federal de Goiás (UFG).
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A produção do documentário em torno de Paratinga me permitiu não somente trabalhar com figuras conhecidas e desconhecidas da cidade. Meu processo de imersão envolveu, também, a busca por um passado pouco claro do meu ambiente familiar, permeado de registros perdidos e histórias de perdas.

Lembro que, aos meus 11 anos, minha avó me contou o fato do meu avô ter perdido grande parte de sua herança e de terras. Mas, justamente pelo fato de terem morrido jovens, não conhecia muitas histórias de meus bisavôs.  E como referência, a minha última bisavó viva, do lado materno, morreu tempos antes de eu nascer.

Mas nem tudo estava perdido. Uma caixa, no alto do guarda-roupa da minha avó, guardava alguns tesouros em decomposição. Com a caixa em mãos e uma multifuncional para digitalização, corri para registrar tudo o que poderia achar. Entre documentos, encontrei o registro sindical de meu avô, datado de 1978, todos os seus documentos, entre RG, CPF, carteira de vacinação e certidão de óbito.

Outros detalhes curiosos estavam por vir. Vários pedaços de um documento antigo, dos tempos de Estados Unidos do Brasil e de Paratinga como Rio Branco, estavam ali. Quando conferi, era o documento de compra da então Fazenda Boqueirão, em 1938. Entre os nomes presentes na documentação, estavam o do anterior proprietário Antônio Felix de Souza (residente em Guararapes – SP), Pompílio Magalhães Moreira (ex-prefeito de Paratinga) e José Duarte Porto (também ex-prefeito, pai de Zenon).

A venda da fazenda se deu com a participação de um procurador chamado Romualdo Alves Martins. O sobrenome era ilustre. Em seguida, minha mãe percebeu que não se tratava de uma coincidência: Romualdo era avô do marido de uma das minhas tias. A história se tornou curiosa: A neta do meu bisavô casou-se, muitos anos depois, com o neto do procurador da fazenda. Coisas de interior.

Encontrei, também, a certidão de óbito do meu bisavô, Gabriel Pereira de Brito. O documento, datado de 1952, também destaca os filhos e suas respectivas idades. No entanto, conforme os anos descritos dos descendentes, inferi que ele pode ter morrido, na verdade, em 1948. Todos os irmãos de meu bisavô estão mortos. O mais jovem, Venâncio, pai de Cláudio Brito, faleceu nesta década.

Não encontrei nada da minha bisavó, Cirila Rodrigues da Mata. Os únicos conteúdos os quais tinha acesso eram os relatos de minha avó. O que eu sabia era que sua morte se deu na década de 1960, depois de contrair tuberculose de um dos filhos. E, mais tarde, meus tios Gabriel e Cirila, gêmeos nascidos em 1968, receberiam em homenagem os nomes dos meus bisavós.

Em julho de 2017, no processo de gravações das imagens de seca de Paratinga, fui surpreendido com a notícia do fechamento da Comarca da cidade. Sabia, então, que se quisesse ter acesso a algum dado, teria que correr. No mesmo mês, fui ao cartório, em busca de informações. Depois de cerca de dois dias de procura em livros de óbitos e nascimentos em estado precário, consegui encontrar o termo de óbito da minha bisavó, cuja data exata de morte ninguém sabia.

A morte de Cirila Rodrigues da Mata foi registrada em cartório em 11 de abril de 1963 pelo meu avô, Regino Pereira de Brito, aos seus 29 anos de idade. Minha bisavó, nascida em 1913 e morta em 30 de dezembro de 1962, foi sepultada no cemitério da localidade do Jacaré, localizado a alguns quilômetros do Boqueirão de Regino.

Na mesma época, tive acesso ao livro A Batalha da Vida, lançado em 2006, e que conta a história do ex-combatente das Forças Armadas Gabriel José Pereira, nascido em Paratinga no ano de 1924. Para a minha surpresa, logo ao início de suas memórias, relembrou que dormiu em um antigo casarão do Boqueirão com a família, provavelmente entre o final das décadas de 1920 e 1930. Esta casa, hoje, praticamente desapareceu.

Pelo fato de terem vindo de terras do município vizinho de Macaúbas, minha busca ainda não cessou. Ainda há o que desbravar. Mas, do que fora encontrado, é bom saber que, mais do que uma contribuição coletiva, aprofundar na história de Paratinga é uma questão de conhecer origens.

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