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Sétima Arte: O desejo pelo cinema

Marina
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Marina

Estudante de Jornalismo e bolsista de extensão e cultura do Comunica Estúdio.
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“Marininha e seus filmes! Se continuar assim terá de usar óculos muito cedo.” Palavras brincalhonas com apenas meio sentido repressor. Lembro-me bem da frase que me perseguia quando mais nova, na maioria das vezes ditas por parentes distantes ou amigos dos adultos que vinham visitar a casa, uns tentavam dar seus conselhos ou tinham esperanças de convencer meus avós – com quem morei desde nova – que muito tempo na frente da televisão não é saudável para uma criança. Outros se atentavam ao conteúdo que a pequena Marina se sujeitava: guerra, sangue, luta por poder, teorias da vida e da morte, a difícil realidade do mundo que se apresentava vibrante e a cores aos olhos da menina.

Minha paixão pelo cinema começa muito cedo, poder-se- ia argumentar que por influência dos avós, porém gosto de pensar que a sede por histórias já se encontrava dentro do meu coração muito antes de DVDs, livros ou cantigas. Entretanto, como muitos pensavam, que tipo de criança não gosta de histórias? É quase natural ler ‘João e o pé de feijão’ para os filhos e logo após os desejar boa noite. Geralmente funciona assim. Por isso e por outras que agradeço aos meus avós por não terem me restringido apenas as estórias infantis.

A imaginação é algo surpreendente. É a linda arquitetura do Museu do Louvre, em Paris; é a disposição de um novo prato, em Tour d’Argent; são as equações e teorias de Tesla e, para mim sua melhor representação se encontra nas incríveis e emocionantes histórias do cinema, dos documentários, dos curtas e dos roteiros. Estes podem representar uma vida ou contar como ela chegou ao fim, trazer criticas a problemas sociais ou denunciar injustiças escondidas, podem abrir sua mente para novas áreas do conhecimento mostrar curiosidades sobre assuntos mais conhecidos e até mesmo convidar o telespectador a viajar pelo campo da fantasia e descobrir outras raças, mundos e culturas.

Há muitas maneiras de se estudar audiovisual, aprendo cada dia mais sobre tais técnicas dentro e fora do curso, sozinha ou com ajuda. Ter entrado em um curso de comunicação, como o Jornalismo, foi uma decisão unanime da minha parte, feita quando tinha apenas oito anos. Lembro de ter mantido um pequeno diário naquele ano de 2007 onde anotava todas as histórias cinematográficas que assistia, apenas o nome e uma nota simbólica feita em escala – que ia de 1 à 5 -, no entanto alguns dias antes do meu aniversário, ainda em dezembro, passava na TV um curto programa sobre a Segunda Guerra Mundial. O pseudo-documentário jornalístico entrevistava veteranos de guerra das tropas aliadas sobre as táticas de batalha utilizadas. Apesar do tema limitado e prático, o diretor decidiu deixar algumas falas mais emocionais no corte final da película e a pequena Marina, com seus 7 anos e 11 meses deixou-se levar pela ótima fotografia da obra, pelo contexto histórico e por tais falas estratégicas para decidir que iria fazer aquilo como profissão. E no antigo diário, já a muitos anos perdido, está escrito o nome do documentário em letras grandes sem pontuação, apenas com um breve comentário abaixo: Serei Jornalista!

Em termos com o sonho de infância, já dentro do curso e trabalhando em um estúdio de audiovisual pergunto-me se talvez minhas expectativas não tenham mudado ou até mesmo diminuído. Cinema não é uma larga porta aberta para todos aqueles que julgam saber poderem adentrar na carreira. Depois de algumas desilusões no âmbito, gosto de pensar que, em termos de analogia, a sétima arte uma pedra de mármore atrás de uma grande cortina, você deve quebra-la, lapida-la e esculpi-la para então deixar as cortinas caírem e apresentá-la ao mundo.

Penso então, que, para melhor esculpir meu trabalho, devo primeiro entendê-lo. Ter conhecimento sobre o que está fazendo torna o oficio mais simples. Estudos cinematográficos se estendem para muito alem de apenas assistir 1001 filmes, está no saber prático e imaginário dos criadores, nada melhor para te ajudar a esculpir bem sua obra do que observar como os mais sábios esculpiram a deles. Prefiro pensar que o verdadeiro cinema está mais na obra por detrás da cortina do que na hora que rodam o projetor.

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