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Fontes e suas dicotomias

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Tiago Abreu

Extensionista em Comunica Estúdio
Estudante do curso de Jornalismo da Faculdade de Informação e Comunicação (FIC) da Universidade Federal de Goiás (UFG).
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Às manhãs da semana e também aos finais de semana , nas primeiras horas do dia, enquanto a população do núcleo urbano de Paratinga pouco se movimenta nas ruas, Gabriel Florencio de Brito, 49, prepara-se para abrir as portas do mercado que administra com a família e, também, seu espaço de cabeleireiro. A rotina se completa no tardar da noite, ao retornar para casa.

Ele, que pelas ligações sanguíneas, é meu tio de lado materno, é paratinguense de nascimento e criação. Nascido no Boqueirão de Regino e tendo recebido o nome em homenagem ao seu falecido avô, Gabriel trabalhava com atividades rurais em geral, como a criação de gado, lavouras, colheitas de campo e concluiu o ensino médio anos depois da juventude.

Por isso, provavelmente, Gabriel inicialmente relutou ao meu convite para ser um dos entrevistados para o documentário acerca de Paratinga. Mas a proposição não era aleatória: Nos primeiros dias de minha viagem, passei toda uma tarde dialogando acerca de questões gerais da cidade e, com base nisso, conhecer detalhadamente suas próprias impressões sobre o que lhe cerca.

Naquela conversa descontraída de horas, meu tio demonstrou uma relação de amor e, ao mesmo tempo, descontamento com a cidade. Suas palavras descreveram a dificuldade em investir no comércio da cidade, as dificuldades em torno da recente seca e as mudanças da convivência entre a população. O convite de entrevista foi recebido, a princípio, com negação, até que, com o detalhamento de minhas ideias, pude demonstrar que era algo possível.

Dias depois de pensar com base no roteiro de perguntas que lhe entreguei, chegou o dia da gravação. Caracterizado pelo seu visual que mescla camisas discretas com tênis All Star, como uma mistura de nerd e pai de família, Gabriel estava coberto por uma clara timidez em frente às lentes e respondeu rapidamente as questões, com ares de ansiedade.

Depois daquele momento, refleti que se sabotar vai além, por exemplo, de uma comum timidez. Era como se ele, desde o início, desacreditasse que poderia contribuir no mesmo nível, em termos de visões acerca da cidade, em relação a alguém que desempenhou certa influência política ou contemplou, de perto, alguma situação histórica.

Mas as narrativas de uma obra audiovisual e um bom Jornalismo podem subverter a noção de privilégios em torno das fontes. Mas, além da própria concepção em torno de referências oficiais ser desconstruída na ação do jornalista, há uma enorme parcela da sociedade a qual ainda não se enxerga como ideal para uma entrevista.

São questões que, de tempo em tempo, são revistas. Na história de Paratinga, a quebra de dicotomias também se faz como processo. Gabriel contou, por exemplo, o preconceito que enxergava entre as populações urbanas e rurais. Por outro lado, ainda reiterou a carência do município em exportação e em infraestrutura adequada. Mesmo diante da timidez e da preocupação em torno do uso de palavras, pude notar sua esperança por uma cidade melhor.

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