Loading...
BlogCinema

Fotografia no Cinema

Raissa Guadalupe
Raissa Guadalupe

Últimos posts por Raissa Guadalupe (exibir todos)

“Adorei a fotografia desse filme”
Alguém provavelmente já ouviu essa frase de algum amigo cinéfilo e ficou sem entender, não é?
Usualmente, o termo fotografia aparece em outro ramo que não só o das imagens estáticas: o cinema. A fotografia em um filme está ligada a tudo que transforma o roteiro em imagem, aos elementos fotográficos que trabalham juntos para compor a atmosfera imaginada na pré-produção. Esse termo quando usado com relação ao cinema geralmente é chamado apenas de fotografia mesmo, mas também podemos nos referir como cinematografia.
Um diretor de fotografia (juntamente com o diretor, é claro) decide questões como a estrutura dos planos, composição da cena, os ângulos, a luz utilizada, o contraste e a nitidez, a exposição, as lentes utilizadas, os movimentos de câmera e – talvez onde mais esse trabalho é notado- os filtros e a cor. Uma boa fotografia consegue passar ao espectador, através de imagens, a ideia pensada pelo diretor sem necessariamente recorrer a falas ou explicações, pois o visual já provoca os efeitos desejados.
O uso de um plano mais fechado, por exemplo, pode indicar tensão na cena. Cores quentes também indicam tensão e as frias tendem a sugerir calma e passividade. Tudo isso é transpassado pelo trabalho na fotografia.
Apesar de o termo fotografia ter atribuições distintas na produção de imagens estáticas e de imagens audiovisuais, muitas técnicas também se aproximam. Não é pura coincidência que um dos melhores cineastas de todos os tempos, Stanley Kubrick, atuou anos como fotógrafo, onde desenvolveu seu olhar fotográfico e o uso da luz, de ângulos e composições, além dos seus famosos pontos de fuga que seriam utilizados em suas obras primas como Laranja Mecânica, O Iluminado e 2001: Uma Odisseia no Espaço. O vídeo abaixo é um exemplo dos grandes trabalhos visuais nesses filmes, focando nos pontos de fuga centralizados.
Pra ilustrar melhor o papel da fotografia no cinema, separei alguns filmes com fotografias admiráveis, alguns que levaram o Oscar de Melhor Fotografia e outros que eu só curto mesmo. Ainda que a fotografia não trate apenas da cor e da beleza estética do filme, peguei imagens que retratam as paletas de cores utilizadas, para destacar todo o planejamento para produzir frames incríveis e causar o efeito desejado na obra, porque, para mim, isso é uma das coisas mais incríveis desses filmes.
O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001)
Direção: Jean-Pierre Jeunet
Cinematografia: Bruno Delbonne
Retratando a vida de uma jovem introvertida e sonhadora, o filme de Jean-Pierre Jeunet ganha destaque por suas cores. A combinação de verde e vermelho é amplamente utilizada, tanto nas cenas quentes e agitadas, quanto nas mais calmas e frias (como é o exemplo na imagem acima). Segundo a teoria que aborda a psicologia das cores, o vermelho representaria seu entusiasmo e curiosidade pela vida, enquanto o verde seria seu lado esperançoso e calmo. Todas essas cores remetem, também, à lomografia, o que gera um tom nostálgico ao filme, que possuí vários toques retrô, principalmente nos figurinos e cenários. As composições e os ângulos abertos sugerem um tom de ternura, um mergulho na solidão da personagem que provoca no espectador um carinho e empatia por ela.
La la land (2015)
Direção: Damien Chazelle
Cinematografia: Linus Sandgren
Vencedor do Oscar de Melhor Fotografia na edição de 2017 do prêmio, La La Land imerge quem assiste na realidade da busca pelo sucesso em Los Angeles, assim como no romance dos protagonistas. As cores vibrantes servem pra destacar os personagens principais no filme, principalmente quando se trata de Mia (Emma Stone), e expressar suas emoções. O exagero de cores e luzes é proposital, afinal estamos em Los Angeles. Além disso, também é legal destacar cenas como a de abertura, um plano sequência de 5 minutos, nos dando a sensação da continuidade do trânsito e de como todos que vivem naquela realidade seguem suas vidas cantando em busca dos seus sonhos.
Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (2014)
Direção: Alejandro González Iñárritu
Cinematografia: Emmanuel Lubezki
O filme de Iñárritu é construído para parecer um único plano sequência passado em três dias, ou seja, que foi captado em um único take (o que obviamente não foi). Para isso, além do trabalho da fotografia em filmar as cenas para parecerem contínuas, sem alteração, inclusive, de luminosidade ou coloração, a montagem também foi papel importante nessa obra. Seu estilo visual com movimentos de câmera de mão que acompanham os personagem pelos bastidores do teatro construiu uma fotografia hipnótica e perturbadora, para combinar com toda a atmosfera da narrativa. Isso garantiu ao filme 4 estatuetas do Oscar diante de 9 indicações, incluindo a categoria principal de Melhor Filme e também a de Melhor Fotografia
O Regresso (2015)
Direção: Alejandro González Iñárritu
Cinematografia: Emmanuel Lubezki
Aqui temos mais uma vez a parceria entre Iñárritu e Lubezki, que garantiu não só o esperado Oscar de Di Caprio mas também as estatuetas de Melhor Diretor e Melhor Fotografia (fazendo do diretor de fotografia um tri campeão, já que venceu a categoria em 2014, 2015 e 2016). A fotografia nessa obra cria um ambiente de claustrofobia e aflição constante. As cenas foram filmadas apenas com luz natural (com exceção de uma cena noturna em que a iluminação artificial foi indispensável) e em enquadramentos semelhantes aos usados em filmes documentais, exaltando que a natureza em que o personagem luta pela sobrevivência não é apenas um cenário, ela também é protagonista.
Ela (2013)
Direção: Spike Jonze
Cinematografia: Hoyte van Hoytema
A fotografia em Her é delicadamente poética, combinando com a reflexão que o filme nos trás sobre nossos próprios sentimentos. Por incrível que pareça, o ambiente confortável de cores quentes do filme quase nos faz acreditar, assim como Theodore, que Samantha (o sistema operacional com o qual ele vive um relacionamento amoroso) realmente exista. O personagem é um romântico nato, por isso o grande uso do vermelho, entretanto utiliza-se tons quase desbotados para representar a sua profunda solidão, além de serem combinados com o design do sistema. O posicionamento da câmera é quase sempre na altura dos olhos, sem uso de plongée ou contra-plongée para superiorizar ou inferiorizar o personagem. Essa questão é deixada para a postura do personagem , que quase sempre é retratado um homem cabisbaixo e introspectivo, tentando se recuperar das feridas do último relacionamento, assim como existem, também, várias cenas de Theodore de costas olhando para um horizonte reflexivo que provocam a mesma sensação de reflexão em quem assiste. As cenas em planos mais fechados que existem durante o filme ocasionalmente são as que o personagem sente-se feliz. A cena de abertura também é interessante, é um close no rosto de Theodore que nos faz sentir todas suas emoções no momento.
Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

artigos recomendados pelos editores
%d blogueiros gostam disto: