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Isabela Lefol
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Estudante de Publicidade na FIC-UFG e Bolsista no Comunica!
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Em 2015 eu estava pronta para ir para Curitiba estudar Cinema. Passei meu Ensino Médio convicta que era isso que eu queria. Cheguei a fazer matrícula na faculdade e aí bateu a dúvida. Eu, sempre muito defensora de minhas ideias, tive que repensar. Minha paixão por cinema não havia mudado, pelo contrário. A questão é que eu precisava sair do meu mundo fantasioso de querer ganhar um Oscar e encarar de frente a realidade.

O cinema em nosso país é complicado, não podemos negar. Mesmo com a efervescência cada vez maior no território nacional, o eixo Rio-São Paulo ainda está muito à frente. Os filmes menores penam para serem distribuídos, é difícil competir com os filmes “globais”. Fazer cinema é muito caro, os equipamentos não são de fácil alcance. Não podemos generalizar, mas quando algo se repete diversas vezes, devemos reconhecer que é mais trabalhoso fugir disto. Então, pensando em todas as condições adversas, me veio a ideia de publicidade.  Filmes devem se tratar de comunicar algo. Publicidade é comunicação. E assim, os dois universos estão intrinsecamente ligados. Decidi comparar e colocar ambas as partes na balança.

O audiovisual em geral, é livre em relação a temática. A intenção de comunicar pode vir até de uma necessidade de comunicação com o “eu-interior” do autor. É verdade que cada vez mais as pessoas não tem paciência ou tempo para reflexão em um mundo tão agitado, o que dificulta chamar a atenção para temas mais sérios ou profundos. Não devemos deixar de lado tais produções, mas sim tentar entender o melhor modo de as fazer. É talvez neste ponto que o cinema pode aprender com a publicidade, explorando de que forma apresentar algo que possa ser relevante para o outro.

Muito se fala nos dias atuais no meio publicitário sobre storytelling, que é um nome diferente para algo que o cinema e a literatura fazem há muito tempo: contar histórias. Encher as pessoas com anúncios exagerados ou com propagandas enganosas não tem mais o mesmo efeito. Por mais que alguns estudiosos acreditassem na Teoria Hipodérmica que dizia a massa é incapaz de resistir às influências da mídia, isso já está ultrapassado. A publicidade pode intervir nos estilos de vida até certo limite, pois a sociedade se tornou mais crítica. Por isso, envolver as pessoas em narrativas é chave para um marketing bem feito. Nesse sentido, o audiovisual na publicidade serve como uma das ferramentas para poder criar histórias com as quais as pessoas se identifiquem, ainda que a propaganda dure poucos minutos.

Muitas outras coisas devem ser levadas em consideração antes de escolher um curso ou carreira para seguir, mas a questão é que as duas áreas são muito amplas. Não necessariamente alguém formado em cinema vai trabalhar com produções de longas, e um formado em publicidade não necessita trabalhar em agência. Na realidade, para atuar nesses campos não é obrigatório possuir graduação, apesar de ajudar. Mas a publicidade consegue se alinhar ao audiovisual e ainda dar uma visão ampla sobre a forma de comunicar. Daí se veio a opção definitiva por publicidade. Não  apenas para fugir das complicações do audiovisual. Não simplesmente para fazer propagandas, mas para entender como se dão os processos de interlocução. Além disso, o processo de distribuição e divulgação de filmes é uma das grandes barreiras em nosso país, ótimas produções muitas vezes não chegam ao grande público, e nisso a publicidade pode ter um papel fundamental para a melhora, mas isso é assunto para se aprofundar em outro momento. É necessário entender que um universo não é melhor que o outro, mas ambos se complementam. Deve-se ampliar o olhar. Afinal, qual o sentido de fazer algo que não consiga conversar e se conectar com as pessoas?

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