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Documentos sobre Paratinga

Processos para conhecer Paratinga

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Tiago Abreu

Extensionista em Comunica Estúdio
Estudante do curso de Jornalismo da Faculdade de Informação e Comunicação (FIC) da Universidade Federal de Goiás (UFG).
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Depois de voltar de Paratinga em junho e publicada a reportagem em agosto, segui para o próximo passo. Precisei, a partir daquele momento, fazer um levantamento bibliográfico do que existia acerca da história da cidade. Àquela altura, já nascia a pretensão de se produzir um documentário. Mas, antes de partir para o projeto em si, era fundamental iniciar um processo de conhecimento pessoal dentro daquele contexto.

Pensei, a princípio, em fazer uma espécie de artigo acadêmico. Percebi, imediatamente, que com esta finalidade não conseguiria delimitar um longo período acerca do município. Além disso, com um tema que seria melhor aplicado às áreas de Geografia e História, deveria ter uma carga teórica que, naquela ocasião, não esperaria tão cedo ter. Escolhi, assim, utilizar a Wikipédia como campo de reprodução do conteúdo que apanharia.

Um projeto formidável. De seus 16 anos de existência para cá, a enciclopédia digital somente em sua versão lusófona, já alcançara quase 1 milhão de verbetes. Mas a qualidade de alguns artigos deixa a desejar, justamente pela disponibilidade colaborativa dos demais leitores e voluntários, além de que sujeitos mal intencionados estão a todo o instante a tirar o tempo de quem está ali para ajudar. Mas, independentemente de todas as suas desvantagens conhecidas, creio que seja uma forma magnífica de compartilhar conhecimento.

Ou seja, antes mesmo de produzir um documentário ou qualquer outro projeto que traria visibilidade, teria a oportunidade de fazer algo para conduzir e estrruturar um conteúdo, antes limitado à livros e mãos específicas, ao ambiente da web. E a beleza de uma enciclopédia popular que qualquer pessoa pode editar é justamente isso: O conhecimento e a informação podem ser passados e revistos de forma acessível, sem perder o didatismo.

O verbete de Paratinga estava numa situação ruim, mas ainda superior aos artigos de outras cidades próximas. Tinha até uma foto da igrejinha, algo que outros nem possuíam. Mas, pelo menos com relação à fotos, aquelas capturas, feitas pelo celular em junho, já teriam algum tipo de aplicação. O histórico, extremamente curto, contava com uma cópia não autorizada de um texto publicado pelo IBGE em 2007. O site da prefeitura, curiosamente, trazia o mesmo texto com alguns adjetivos autopromocionais.

Fui, inicialmente, pelo o que estava ao meu alcance: Pesquisas e mais pesquisas de artigos acadêmicos e páginas da web que faziam menção, de alguma forma, a cidade. Em seguida, parti para a leitura e encontrei muitas questões curiosas. A primeira, e talvez a mais importante, era de que a história geralmente contada sobre Paratinga consistia na história específica de seu núcleo urbano. Em uma cidade que, hoje, cerca de 60% de seu povo é da dita zona rural, há uma série de processos históricos que não são contados.

Neste aspecto, destaco duas dissertações que fugiram deste paradigma, publicadas por Gabriela Nogueira (2011) e Napoliana Santana (2012), que analisaram documentos presentes em Paratinga e cidades próximas, antes de seu território, para falar de questões relativas à sobrevivência de moradores, sobre a relação entre sujeitos escravizados e vários dados sobre a etnia original de grande parte da população negra levada para o município. Estas informações foram mais que úteis para o verbete da enciclopédia: Apresentou histórias e dados que jamais apareceriam nas histórias oficiais de Paratinga.

E, por falar em história, o que achei de mais recente publicado em livros sobre a cidade estava na Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, de 1958, que ainda trazia Ibotirama como distrito. E, mais tarde, encontrei o livro Sociedade Filarmônica 13 de Junho: 100 Anos de Tradição e Cultura, publicado em 2006 pelo professor Carlos Fernando. Mas esta obra, em especial, é assunto para outro texto.

À medida que fui lendo e melhorando o verbete da cidade com base nas estruturas padronizadas da enciclopédia, fui vendo quão rico é o processo histórico de Paratinga e o quanto essas narrativas estão esquecidas. E, com tamanha antiguidade, passei a perceber a influência da gestão pública, ao longo dos séculos, para a situação que o município vive nesta década.

Com relação ao trabalho em si, foi um período de férias completo para o expandir até a estrutura que possui atualmente, além de meses de ajustes e correções. Mais de 120kb de texto tamanho que daria, como artigo acadêmico, bem mais de 30 páginas — estava como um trabalho que hoje pode ser conferido online (claro, com imagens melhores inclusas depois).

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