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Documentos sobre Paratinga

Um texto introdutório

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Tiago Abreu

Extensionista em Comunica Estúdio
Estudante do curso de Jornalismo da Faculdade de Informação e Comunicação (FIC) da Universidade Federal de Goiás (UFG).
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Era março de 2001 e eu estava num velório em Paratinga. O falecido, meu avô, era bastante conhecido na pequena cidade e foi vítima de um acidente doméstico inesperado que lhe tirou a vida. E ninguém esperava que, aquele sujeito forte e saudável de 66 anos, morreria por cair de um telhado enquanto fazia reparos em uma nova casa que construiu.

Os anos se passaram e a personalidade e história de vida do meu avô, que há muito tempo dá nome ao povoado Boqueirão de Regino, é constantemente presente. São fotos, relatos, a saudade e, principalmente, seu legado, que permanecem entre nós. Mas, além disso, sua existência sempre esteve intimamente ligada à cidade de Paratinga, em que se criou.

Não sou paratinguense. Mas, desde pequeno, o município era local obrigatório para a maioria das viagens de férias. Uma região pacata, que sofre com a pobreza, a gestão ineficiente do Estado e, principalmente, com a escassez de recursos naturais. O semiárido nordestino é, infelizmente, lugar de velhas histórias e velhos descasos.

Como curioso, sempre quis mergulhar na história e importância cultural da cidade, conhecida como uma das mais antigas do estado da Bahia. Mas sempre notei uma carência muito grande de dados, registros e conteúdos que pudessem me aproximar de Paratinga como município e como lugar de origem.

Acabei descobrindo, com o passar dos anos, que um paratinguense, na juventude, fez um percurso curiosamente parecido com o meu. Um ex-professor da Universidade Federal de Goiás, Carlos Fernando Filgueiras de Magalhães, mudou-se para Goiânia ainda na década de 1960, constituiu sua formação superior e, como um pesquisador, escreveu uma série de conteúdos sobre a cidade em livros e outros tipos de obras artísticas.

Infelizmente, uma morte inesperada também lhe sobreveio, em 2009, aos 69 anos de idade. Um pouco mais tarde que o meu avô, mas suficiente para que vários de seus materiais e pesquisas não fossem concluídos e lançados em vida. E quando, sete anos depois, comecei a trabalhar em pesquisas e estudos sobre o povoado e, também acerca da cidade como um todo, percebi que a história de Paratinga continuava a se mover conforme o tempo que não cessa, mas que as memórias estavam se perdendo.

A carência de Paratinga extrapola as condições socioeconômicas. São histórias, de tempos em tempos, que passam despercebidas para os moradores locais. E nem os estudantes são inertes ao desconhecimento. São documentos valiosos em situações lamentáveis. São construções seculares em declínio estrutural. São costumes e tradições cujo conhecimento se esvai a cada geração.

Estar de frente às serras pelas quais meu avô contemplou na maioria das manhãs de sua vida, observar e presenciar o Rio São Francisco, que abasteceu maior parte de meus antepassados, e ter contato com documentos consumidos pelo tempo, são como uma forma de não somente contribuir neste resgate histórico municipal, mas recuperar, na mente de alguém que já não vive mais naquele lugar como eu. Raízes familiares que dizem respeito, em grande parte, ao que sou como ser humano hoje.

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