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Documentos sobre Paratinga

Pela lente

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Tiago Abreu

Extensionista em Comunica Estúdio
Estudante do curso de Jornalismo da Faculdade de Informação e Comunicação (FIC) da Universidade Federal de Goiás (UFG).
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Em 11 de janeiro de 2017, lá estava eu novamente em Paratinga. Desta vez, com maior tempo, disposição, uma câmera fotográfica na mala e histórias para colecionar. A cidade floresceu com o período das chuvas e a motivação para a criação de uma produção documental cresceria a partir dali.

Na minha posição de estudante universitário oriundo de outro estado, apesar dos familiares na cidade, minha presença não se configurava como a de alguém em férias ou de um típico paratinguense. Por isso, ser um “estrangeiro” nessas terras é algo curioso. Sempre há pessoas com imensa vontade de contar suas histórias e mostrar seus arquivos.

A expedição, que contava com a colaboração de parentes, era de complementar minhas pesquisas com personagens notórios de Paratinga. E, para isso, meu tio caçula, em seus 31 anos, estava preparado para conduzir às pessoas pelas quais conhecia. Só precisávamos de tempo, um carro, combustível e, claro, câmera na mão.

O roteiro, a princípio, previu a procura do dono do cartório. O sujeito, chamado Carlos Alberto, com 72 anos, me recepcionou em seu ambiente de trabalho. Entre os vários papéis, mapas, relatórios, documentos, quadros, reportagens e anotações, todos dispostos aleatoriamente sobre uma mesa, existia muita vontade, por parte de Alberto, de contribuir com minha pesquisa.

Entre as conversas, surgiu o nome de um doutor Fernando, ex-professor da Universidade Federal de Goiás. Foi ali, naquele momento, que se iniciou as várias histórias, por parte de vários residentes no município, da história de Carlos Fernando Filgueiras de Magalhães, médico e escritor paratinguense que, até há alguns anos, era o principal sujeito ativo em pesquisas sobre a cidade.

Mas sua morte, em 2009, paralisou todo o trabalho desenvolvido até então. Interessado pela minha iniciativa de aprofundar meus conteúdos acerca de Paratinga, Carlos Alberto disse que todas as referências e conteúdo que disponibilizava para seu xará, agora, me seriam entregues. Aquela declaração, certamente, foi a que me deixou mais honrado e lisonjeado e, até hoje, me surpreende pela complexidade da “missão”.

As rodovias e estradas eram rotas obrigatórias no percurso. Para me deslocar ao distrito de Águas do Paulista, a BA-160 apresentava uma qualidade superior. Para ir ao Boqueirão de Regino, era imperativo enfrentar a poeira na estrada do Boqueirão. E para contemplar os pontos da cidade, os pneus do carro percorreram os pontos mais gloriosos e decadentes da zona urbana: Os negros do Tomba, a população distante da Betânia, o Cais do Porto, as casas históricas do centro, os prédios públicos e a infraestrutura e, sempre, ao meu retorno, a Av. José Duarte Porto no bairro Paratinguinha.

Entre as visitas que me trouxeram possibilidades, destaco a de Alcir do Vale Dourado. Aos seus 89 anos bem vividos, me apresentou várias pastas recheadas de papéis manuscritos com relatos e registros históricos da cidade no século XX, justamente o período que mais me fazia falta. E, depois de visitar sua casa, descobri várias atribuições a Alcir: Seu trabalho com a imprensa da cidade nos anos 50, suas iniciativas de preservação ambiental na vizinha Ibotirama e, claramente, toda a importância que seus familiares têm na história recente de Paratinga.

O encontro com Alcir só foi possível graças à contribuição que tive de envolvidos na Sociedade Filarmônica 13 de Junho, localizada próxima à sua residência, os quais agradeço em nome do maestro Célio. Lá, inclusive, tive contato mais próximo com as colaborações que o professor Carlos Fernando, nome amado entre todos, deu à instituição. E, ainda, próximo dali, visitei sua residência, em reformas conduzidas por seu sobrinho, o professor Alessandro Magalhães, que reside em Guanambi.

No entanto, durante tantas andanças com uma câmera, uma lente e um cartão de memória, um contratempo me ocorreu. Ao voltar de uma dessas pequenas viagens, perdi a tampa da lente da câmera. Procurei no carro, em minha mochila, em tudo o que era possível, mas não achei. Imediatamente, quando voltei para Goiânia, comprei outra tampa antes de realizar a devolução para a universidade.

Poucos dias depois, descubro que a tampa da câmera fotográfica estava realmente no carro de um dos meus tios. Empoeirada com a terra de Paratinga, ela é, além das fotos, parte do material fotográfico que me resultou da aventura que durou quase um mês (e a mantenho bem guardada).

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